Tuesday, December 09, 2008

"A vida é sonho"

Por que fazemos o que fazemos? Já pararam para pensar? Por que dormimos numa cama? Por que nos levantamos de manhã? Por que saímos de casa? Por que voltamos sempre para “nossa casa”? Por que bebemos água num copo? Por que comemos o que comemos, na hora em que comemos? Por que vamos, ou não vamos, trabalhar? Por que estudamos, ou não estudamos? Estamos sempre em relação com tudo. Estamos sempre fazendo, ou não fazendo alguma coisa. Por que? Por que fazemos o que fazemos? Porque temos que? Mas será que temos mesmo? Quem disse? Porque tem que ser assim? Mas será que tem mesmo? Quem disse? Por que é bom? Mas será que é bom mesmo? Quem disse? E o que acreditamos que não podemos fazer? Será que não podemos mesmo? Será que uma proibição de qualquer tipo é uma barreira assim tão rígida? Será que as fronteiras do nosso mundo mental são assim tão bem definidas? Não seriam elas estabelecidas por pura convenção? Será que o mundo nos impõe alguma ordem? Por que fazemos o que fazemos? Porque assim é A Realidade? Ou será porque nos é, de alguma forma, conveniente?

Todos os dias acordamos dentro de um sonho. Quem nunca teve a experiência, de numa noite de sono, durante um sonho qualquer, ter a nítida sensação de acordar, mas depois ver que ainda está sonhando? Pois é isso que fazemos todos os dias. Temos a nítida sensação de acordar, mas continuamos sempre sonhando.

Vivemos um sonho! Acordamos num sonho, dormimos num sonho, sonhamos num sonho, tudo é sempre sonho. Mas, ingenuamente, quando acordo, penso que estou n’A “Realidade”, e que “Realidade” é bem diferente de sonho. Mas, isto que chamamos “Realidade” é um sonho, é Fantasia. Não há “Realidade”.

E quem sonha este sonho, sou “eu”? Ah, não! Pois que “eu” já sou eu mesmo um sonho. Não há este “alguém” que sonha. Há sonho, e sou dele personagem. Não sei bem quem sou, não sei bem onde estou, não sei bem o que faço, não sei bem porque faço o que faço. Forças me impulsionam e vou ou não vou, faço ou não faço. Represento papéis imaginários em cenários imaginados. Um sonho...

4 comments:

Paula Moiana da Costa said...

Agora fiquei na dúvida, tive duas interpretações desse texto...

Não há razão necessária para a nossa realidade, e isso nos remete ao absurdo existencialista. Foi a isso que aludiu com a metáfora do sonho?

Ou não é uma metáfora, e vc se referiu ao idealismo?

Gostei bastante dos seus textos.

Anonymous said...

Seu excelente texto me remete para o sonho do sábio chinês, que sonha ser uma borboleta e quando acorda se pergunta:
-Sou um sábio chinês que sonhou ser uma borboleta? Ou sou uma borboleta sonhando ser um sábio chinês?
Quem é mais real? O que nominamos de sonho ?
Ou o que chamamos de realidade?
Difícil saber...
Tudo é sonho onde nós personagens, encenamos nossos dramas, comédias, ficções. Ora nos achando grandes personagens, ora personagens medíocres...as vezes apenas figurantes no grande Teatro das circunstâncias.
Isso é a vida!
Parabéns pelo texto seu mundofilosofico.
Epicuro.

ρoësis said...

Gostei bastante tb!


um bom texto de dar nó dentro do pensamento.
=]

rsrs

Vinícius Graça said...

Chega a ser aterrorizante. Parabéns.