Saturday, November 29, 2008

O sentido da vida

Nossa existência é solitária e ao mesmo tempo coletiva. Pois aquilo que nos une a todos é também o que irremediavelmente nos separa. Aquilo que todos temos em comum, é também e só pode ser, de cada um: A nossa incurável e absoluta solidão.

E o sentido para estarmos aqui? A pergunta, para mim não é mais “Há um sentido para nossa vida?” Nem tampouco “Qual o sentido de nossa vida?”. A pergunta, tanto libertadora quanto assustadora, porém de qualquer forma fascinante, é a seguinte: “Por que tem de haver um sentido para a nossa existência?” E não vejo um porquê. Apenas vejo que nos consideramos importantes demais para não termos sentido. Importantes demais para sermos passageiros como tudo é. Passageiros como a flor que morre, como a nuvem que se desfaz, ou como a mosca que esmagamos sem piedade, sem nem pararmos para nos perguntar para que mundo distante terá ido.

Amigos, por que haveríamos de querer nos encarcerar num sentido único e imutável? Por que buscar um sentido “verdadeiro”? Por que buscamos loucamente as correntes? Se não podemos vê-las nem senti-las, por que procurar por elas? Por que se recusar de todo jeito a ser um pouco mais livre? Por que tem de haver um sentido para a vida? Ficaria o pássaro pousado num mesmo galho a vida inteira, angustiado e pensando: “Onde está a gaiola?” Então por que nós, os importantes, nós, os evoluídos, precisamos de tantas correntes e bolas de ferro? É tudo sem sentido! É tudo com todo o sentido! E esse é um grande benefício! O sentido é um hoje e outro amanhã. O sentido é nenhum e é todo o resto. É cada fantasia que pudermos criar. É a existência, sem sentido, indiferente e já repleta de sentido, simplesmente por existir. “Onde está a gaiola?”, “Onde está a gaiola?” Voa!

4 comments:

Camila said...

Procurar, achar, inventar um sentido pra vida dá a sensação de controle. O ser humano gosta de ter controle sobre as coisas. Dizer que não tem é muito "caótico", muito incerto. Exclui o próprio dono da vida da vida. É uma coisa que só acontece. A gente quer ser quem faz acontecer, e quem faz acontecer de uma forma considerada certa. Só mais algo pra de q se gabar. Dizer que achou o sentido da vida... é algo que todo mundo busca, mas raramente alguém diz que achou. O Exupéry, se eu ainda me lembro, diz que o que dá sentido a morte dá sentido a vida. Quando morrer tem sentido, quando morrer não é mais terrível, não é mais assustador, é só parte da vida, você achou o sentido da sua vida. Não lembro bem. Um dia eu releio e te conto!

ρoësis said...

assino em baixo!

=/

Luks-Tamoios said...

O ser humano tem a necessidade do objetivo, da meta, assim como tem a necessidade de deus. São idéias 'descomplicantes'.
Como a camila disse acima, sobre a morte dar um sentido à vida, a morte nada mais é que uma data pra estarmos com nossas metas prontas, e isso assusta e deixa-nos ansiosos.

Arlene Mulatinho said...

Não vejo dessa forma.
O ser que está vivendo o sentido de sua vida não se questiona se aquilo é certo, ele sente que é. O pássaro naturalmente voa, o peixe nada o homem busca algo, uma meta, um legado, algo aior. Isso é uma prisão. Se estar-se preso por vontade é estar aprisionado então o significado de prisão é outro, estaria mais pra abrigo.