Tuesday, December 02, 2008

Contra a crença

"As convicções são prisões" - F. Nietzsche (O Anticristo)

Quando falo em crença, não estou me referindo apenas às religiões.
Crença é toda e qualquer idéia que se toma por verdadeira e real a princípio. Algo que, portanto, para quem acredita, não precisa de argumentos racionais ou fatos empíricos para se comprovar. Se aquele que acredita se utiliza de argumentos é apenas para defender sua verdade e não para demonstrá-la.
Por isso, é muito comum que os argumentos que defendam a veracidade de uma “crença” sejam tão absurdos, ilógicos e que não façam nenhum sentido para quem olha de fora desta mesma crença, e ainda que nos utilizemos de milhares de argumentos que julgamos ser os mais sensatos, lógicos, bem construídos, para tentar dissuadir alguém de uma crença - e ainda que todos os fatos da experiência estejam contra esta mesma crença- a pessoa é capaz de refutar cada sensatez com absurdo e sair bem satisfeita, acreditando ainda mais no que acreditava antes.
E o que é uma crença? Uma verdade absoluta? É claro que não. A crença não é critério de veracidade. A crença é uma idéia que se cristaliza na mente, envolvida por uma barreira rígida, cercada por uma fortíssima proteção. Por isso é tão difícil quebrar uma crença, ou mesmo simplesmente questioná-la. São necessários, às vezes, anos de tentativas, exercícios, trabalho para romper, nem que seja minimamente, a barreira de uma crença.

Por tudo isso, as crenças aprisionam. Nos induzem não somente ao erro, mas à insistência no erro e mais: à defesa apaixonada do erro. As crenças, como são tomadas por "respostas verdadeiras", matam a capacidade de questionar, de buscar, de crescer! As crenças limitam, acomodam.

E daí?

Quanto menos aprisionamentos nos impomos, maior nossa capacidade de contornar os revezes, enfrentar os tormentos, mudar de rumo, mudar de arrumação, fazer alguma coisa, não fazer alguma coisa.

Além do mais, para aqueles que querem entender, investigar, conhecer, buscar... as crenças são poderosas inimigas.

Em quantas coisas acreditamos? Quantos absurdos temos tomado por verdades?

Lembrem-se então:
Aquela mesma estranha capacidade de imaginação que cria verdades e realidades, nos fornece também a ferramenta que nos permite saltar para além delas: o questionamento. Toda verdade é imaginária e pode ser questionada.

4 comments:

Camila said...

Minha moral de rebanho e judaico-cristã não me permite comentar neste post! ahhahahahaa (Não consegui perder a piadinha!)
Tudo bem! Já sei, nada levado ao lado cristão!
Ah! Esse post já gerou muita polêmica entre você e eu! Nem sei se conseguiria escrever tudo de novo aqui! Isso é muito relativo, se é que é essa a palavra, pra mim!

Daniel Matos said...

A realidade é relativa. O ser também.
O problema é que tudo que sabemos não passa de uma crença, e toda prova que temos também não passa de uma crença nos mecanismos que os testam. E tudo no fim não passa de um jogo de palavras. Talvez o fanático religioso mais doido, esteja falando a mesma coisa que o cientista mais organizado, só que se expressam de formas diferentes. Eu ainda prefiro o chapeleiro maluco a afirmar que os nendertais eram surfistas a jogar boliche com a rainha dentro de um compressor de partículas a rezar para uma hidra!

ρoësis said...

concordo com o post. perfect mesmo.

Mari said...

Eu concordo mas tenho as minhas crenças, sou um ser humano e preciso acreditar em algo, mas as minhas crenças fazem parte das minhas próprias conclusões. A religião por outro lado, impõem fatos ditos por verdadeiro, te dá respostas, não é preciso pensar por si mesmo se recorrer a ela.