Thursday, December 04, 2008

A verdade delirada em constante mutação

"A “verdade” não é, conseqüentemente, algo que exista e que devamos encontrar e descobrir — mas algo que é preciso criar" - Nietzsche

Demorei um pouco a compreender esta frase. Mas depois de algum tempo, percebi o quanto ela é importante para pensarmos sobre a verdade, a realidade e o conhecimento.

Não há uma verdade no mundo que devamos procurar e que possamos descobrir. O que fazemos é inventar verdades para o mundo.

Porém, não é tão simples. A partir de tudo o que vimos, ouvimos, vivemos, experienciamos, lemos, aprendemos... criamos verdades para o mundo. Em seguida, podemos bombardear nossas próprias verdades com dúvidas e questões, verificar constantemente se são ou não compatíveis com a nossa atual configuração da Realidade. Verificar se as verdades que fantasiamos servem para explicar a Realidade que percebemos, incluindo todos os seus elementos, todas as informações que podemos ver.

Se sim, nossas verdades servem - por enquanto. Até que nossa realidade se reconfigure com novas percepções, informações e circunstâncias.

Se não, elas não servem e podem ser ampliadas, aperfeiçoadas ou simplesmente descartadas.

Portanto, não é preciso acreditarmos em quaisquer verdades que sejam. Basta utilizá-las enquanto servem. Sem esquecer de submetê-las sempre ao questionamento e à dúvida.

Este processo me parece ser infinito. Afinal, só paramos quando acreditamos cegamente numa verdade, quando julgamos ter encontrado a "Verdade Absoluta" do mundo, esquecendo, assim, que a verdade, seja qual for, não foi "encontrada", mas inventada, delirada.

9 comments:

Paula Moiana da Costa said...

Se criamos as verdades, refletindo nossas impressões, e se elas devem ser utilizadas enquanto servem, porque devemos submetê-las sempre ao questionamento e à dúvida?

Se não forem questionadas, essas verdades servirão sempre. E, no caso, não valeria a pena modificá-las, já que ela sãos contingenciais.

Não parece algo que justifica uma crença?

ρoësis said...

Mais uma vez reflexão sobre Nietzsche pra ver o mundo de outra forma. Tenho aprendido muito por aqui! =] Vlw pelas aulas!!


É Paula... Faz mesmo sentido isso que você colocou...

ρoësis said...

Peço permissão para publicar isso no meu blog, juntamente com o comentário da Paula Moiana. Posso fazê-lo??

Faço devidas referencias à este espaço.

Anonymous said...

Pode, claro.. Mas não é isso.
Não é que entram novas informações, percepções e circunstâncias porque questionamos nossas verdades. É justamente ao contrário: Entram novas informações, circunstâncias e percepções, e aí, para dar conta disso, reformulamos ou descartamos nossas verdades (caso elas estejam abertas ao questionamento), caso não esteja, se tornarão simplesmente ineficazes...

Mundo Filosófico

Camila said...

Nossa conversa de ontem... Ou ao menos parte dela! hehehehe
Seguindo essa idéia, se torna sim um processo infinito, afinal tudo está em constante mudança e por isso verdades absolutas deixam tantas coisas de lado. Não se pode adequar uma verdade absoluta as mudanças...

ρoësis said...

Seu poder de questionamento é bom Diogo! =]

Parabéns!!

ok!

coloco ele lá!
Vlw ta?

Anonymous said...

Tod verdade é passageira e impermanente, como tudo o mais na vida. Temos necessidade de reinvent´-las (As verdades), para que tenhamos a impressâo falsa de que as "verdades fazem sentido"
Agradeço aos seus belos textos, Viva o mundo filosófico!!!!!
Epicuro.

Anonymous said...

Tod verdade é passageira e impermanente, como tudo o mais na vida. Temos necessidade de reinvent´-las (As verdades), para que tenhamos a impressâo falsa de que as "verdades fazem sentido"
Agradeço aos seus belos textos, Viva o mundo filosófico!!!!!
Epicuro.

ρoësis said...

Desculpa colocar aqui Diogo, mas não tenho nenhum outro meio de contato contigo.

Faço um pedido: Você pode escrever sobre Camus e o absurdismo?? Andei lendo sobre isso. Queria uma opinião tua, para que as ideias sejam radicadas ou expurgadas de minhas verdades. É uma escola que, por ter estudado pouco ou quase nada de filosofia, ainda não conhecia.